Quando se tem apego demais

Qual a linha que separa o gostar normal, o apego excessivo e a dependência emocional?


Quem aqui já se pegou num relacionamento em que um era apegado demais e a outra pessoa nem aí? Ou que sentiu que o mundo desabaria se a parceria terminasse tudo? Já ficou na dúvida se era carência ou amor?


Tudo é uma questão de saúde mental e emocional. O problema é que nós serumaninhos somos bem complexos, né?


Fato é que apego demais atrapalha sim, e a própria pessoa apegada sofre com isso. Às vezes ela se encontra infeliz num relacionamento, mas mesmo assim não consegue sair dele, como se estivesse numa prisão emocional. E os motivos, esses precisam ser investigados.


Outras vezes não tem a ver com se sentir dependente do outro, mas sim receio de ser desprezado e ter o ego ferido. Talvez o apego seja em ter um relacionamento, independentemente de quem seja a parceria. No outro lado, a parceria pode achar que está com alguém apaixonado de verdade, mas no fim era só apego.


Na Psicologia existe inclusive a Teoria do Apego, criada pelo psiquiatra e psicanalista John Bowlby. que diz que esse sentimento é algo inato ao ser humano, e que por instinto criamos laços que possam ser úteis para nós. A teoria surgiu para se entender o vínculo entre pais e crianças.


Em 1987, os psicólogos Cindy Hazan e Philip Shaver exploraram as ideias de Bowlby e concluíram que as relações de apego da infância têm influência nas relações românticas quando crescemos.


Os 4 tipos de apegos


Há 4 tipos de apego, segundo a teoria, que crianças criam com os pais, e adultos reproduzem entre si:


  • Seguro: bebê e mãe (ou outro cuidador) têm uma dinâmica equilibrada, um se sente bem com o outro, há afeto entre os os dois, sentem falta quando o outro não está junto, mas ficam bem durante a ausência.

Quando adulto, vai desenvolver relações harmoniosas, sem idealizações, sentindo-se bem com a sua própria intimidade e independência e a do outro. Entende quando é querido, e se tiver que terminar uma relação, enxerga isso como natural.

  • Inseguro-evitativo: é o adulto com dificuldade de se apegar, pois quando criança o cuidador era frio e distante, achava suas necessidades exageradas e aplicava disciplina para educar. Esse bebê esconde as necessidades de afeto para não ser desprezado, e assim manter o vínculo.

Cresce achando que não precisa de relações mais íntimas (aliás, foge delas) e não demonstra afeto pois seria sinal de fraqueza.

  • Inseguro-ansioso ambivalente: a figura cuidadora hora demonstra carinho pelo bebê, atende suas necessidades, dá carinho, e hora o ignora. Como ele nunca sabe o que terá dela, começa a desenvolver ansiedade.

Cresce um adulto inseguro, que depende extremamente da parceria e deseja altos níveis de intimidade. Seu estado de espírito flutua de acordo com o que a parceria lhe dá: se tem carinho, fica bem e confiante, mas a qualquer sinal negativo, fica dramático, irritado e toda a ansiedade volta.

  • Desorganizado: o bebê sente a mãe (ou outra figura cuidadora) como uma ameaça, pois ela o trata com agressividade, mas ele precisa dela para sobreviver. Isso gera trauma, dor, medo.

Torna-se um adulto com bloqueios emocionais e que tem dificuldades de se envolver em relacionamentos profundos (embora deseje ter um), pois não consegue confiar nas intenções da parceria.


Não podemos mudar o passado, mas entendê-lo é importante no processo terapêutico - só entendendo a própria história e seu nível de apego é possível mudar o comportamento e ter relações mais felizes e saudáveis.


Sinais de que você se apega demais


Você quer se comunicar o tempo todo


Sabe a ansiedade se alguém demora para responder uma mensagem no WhatsApp?


Levando isso para o relacionamento, seria aquele desejo de querer falar com a parceria mais frequentemente do que o habitual, com um toque de exagero.


E querer falar a cada mínimo acontecimento do dia ou ver a ansiedade aumentar se a parceria não responde imediatamente.


Isso pode ser sinal de uma dependência de comunicação.


Você tem uma carência excessiva


É normal sentir necessidade de afeto, atenção, mas quando essa necessidade é excessiva pode ser carência.


E carência não é amor, e sim um apego exagerado que causa ansiedade, e é como se sobrasse para a parceria a responsabilidade de preencher esse vazio que a outra pessoa sente.


Seu humor depende da parceria estar ou não presente


É normal a parceria ficar ocupada com trabalho ou qualquer outro assunto, como uma reunião com amigos.


E é até ok ficar chateadx se a pessoa se ausenta por um período, mas é normal que todos tenham suas próprias atividades.


O que não deveria acontecer é que o estado de ânimo se altere sempre que a parceria está ocupada com outra coisa ou não pode estar presente sempre que você quer.


Você tem muito ciúme


A sensação de se sentir ‘dono’ da parceria e querer controlar seus passos e seu comportamento.


Um ciumezinho de vez em quando é normal, mas o ciúme exagerado leva a sentimentos negativos, faz com que se perca o controle das emoções.


Ciúme não é amor.


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